
O que dá para responder com dado real — e o que não dá (vaga extra e cobertura não têm fonte agregada)
Publicado em 27 de setembro de 2026 · Por Brian Reis, corretor de imóveis CRECI/SC 52.398
Não existe, em nenhuma fonte que acompanho, preço médio separado por vaga extra, cobertura ou studio — isso exigiria cruzar preço com tipologia unidade a unidade, dado que a rede não publica de forma agregada. O que dá para responder com segurança, e que já ajuda bastante na decisão, é onde cada tipologia por número de suítes está mais concentrada — e é isso que uso para direcionar quem procura um produto específico.
Porto Belo tem 10 lançamentos catalogados como studio (0 suítes) sobre 353 unidades com dado — a maior contagem absoluta das quatro cidades. Itapema tem 7, proporcionalmente mais relevante (5% da amostra com dado, contra 3% em Porto Belo). Balneário Camboriú e Praia Brava têm apenas 1 registro nessa faixa — não é produto típico da região mais consolidada.
Camboriú (a cidade) e Balneário Camboriú/Praia Brava são as duas cidades onde essa faixa domina proporcionalmente — 1 suíte é o produto de entrada mais comum nas duas. É a faixa que costumo indicar para quem quer primeiro imóvel de investimento com ticket mais baixo e maior liquidez de aluguel de temporada.
Balneário Camboriú e Praia Brava têm a maior concentração de 3 suítes em termos proporcionais entre as quatro. Itapema chama atenção pela presença forte de 4 suítes — quase tão comum quanto 1 suíte na amostra da cidade, sinal de que o mercado local também está respondendo a demanda de moradia de família, não só de segunda residência.
Quando um cliente pergunta especificamente por vaga extra ou cobertura, eu digo que não tenho estatística agregada confiável sobre isso — nenhuma fonte da rede publica preço segmentado por esse tipo de característica. O que faço, nesse caso, é ir direto à ficha técnica de empreendimentos específicos do bairro de interesse e comparar unidade a unidade, em vez de fingir que existe uma mediana regional para isso.
Um consultor que inventa uma média de "quanto custa a vaga extra na região" está vendendo confiança que não tem lastro. Prefiro apontar exatamente qual dado sustento (mix de suítes por cidade) e qual não sustento (preço por característica específica de unidade) — é mais útil para o cliente saber onde a minha informação para do que receber um número que parece preciso e não é.
Quando o cliente insiste em querer uma ideia de valor de vaga extra ou cobertura antes de eu ir à ficha técnica de um empreendimento específico, explico o caminho que sigo: comparo o preço de duas unidades do mesmo empreendimento, uma com e outra sem a característica em questão, quando ambas estão publicadas na mesma tabela. Isso dá uma referência pontual, específica daquele prédio — nunca uma média regional, porque cada construtora precifica vaga extra e cobertura de forma diferente, conforme a demanda local e a disponibilidade de espaço no projeto.
Já vi corretor de outra imobiliária citar "vaga extra custa em média X" para a região toda, sem fonte, só repassando o que ouviu de algum colega. Se o cliente decide com base nisso e depois descobre que a vaga extra específica daquele prédio custa o dobro ou a metade do que foi dito, a credibilidade de todo o resto da negociação cai junto — mesmo que os outros números estivessem certos. Prefiro admitir a lacuna de dado agregado a arriscar essa queda de confiança por um número que nunca teve base real.
Sem preço agregado, ainda dá para inferir onde a demanda por vaga extra tende a ser maior usando o mesmo mix de suítes: unidades de 3 e 4 suítes, mais comuns em Balneário Camboriú e em Itapema respectivamente, costumam vir acompanhadas de famílias com mais de um veículo, o que aumenta a procura por vaga adicional na revenda. Unidades de 1 suíte, mais comuns em Camboriú e também presentes em Balneário Camboriú, tendem a atrair comprador individual ou investidor de temporada, com demanda por vaga extra mais baixa. É inferência indireta, não estatística direta — mas é o tipo de raciocínio que uso para orientar o cliente enquanto o dado agregado não existe.
Cruzar preço com característica específica de unidade (vaga extra, cobertura, andar) exigiria tratar cada ficha técnica de empreendimento individualmente, não só o cadastro agregado por cidade que uso hoje. É um projeto de estruturação de dado maior do que os outros catorze artigos deste pilar, e prefiro anunciar que pretendo fazer isso a fingir que já tenho o resultado pronto. Quando existir, vai virar atualização deste mesmo artigo, com a data de revisão marcada.
Recomendo ao investidor que, ao invés de esperar por uma média regional que ainda não existe, peça diretamente à construtora do empreendimento de interesse a planilha de preço por tipologia de unidade — a maioria das construtoras sérias já tem esse detalhamento pronto internamente, mesmo que não publique de forma agregada. É mais trabalho do que ler uma média pronta, mas é dado real do empreendimento específico, o que vale mais do que qualquer estimativa regional genérica.
Se a construtora se recusar a fornecer esse detalhamento por tipologia quando solicitado diretamente, considero isso um sinal de alerta próprio — não porque o dado agregado regional devesse existir, mas porque o detalhamento do próprio empreendimento deveria estar disponível para qualquer comprador interessado, sem depender de estatística externa nenhuma.
Sustenta, com dado real do cadastro que mantenho: onde cada tipologia por número de suítes está mais concentrada, cidade por cidade. Não sustenta, porque a fonte não existe hoje: preço médio de vaga extra, cobertura ou studio, nem cruzamento de preço com tipologia específica de unidade. Separar essas duas coisas com clareza é mais útil ao investidor do que qualquer estimativa apresentada com confiança que os dados não sustentam.
Prefiro esse limite claro a qualquer número inflado de credibilidade que não resistiria a uma pergunta simples de "qual é a fonte disso".
É a mesma régua que aplico a todos os quinze artigos deste pilar: se a fonte não existe, o número não entra no texto, por mais que o texto ficasse mais completo com ele.
Isto é o tipo de conteúdo que sua imobiliária, construtora ou escritório poderia estar publicando toda semana — com dado real, não achismo.
Eu ensino como montar essa operação (dados + IA + conteúdo) dentro da sua empresa.
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