
Comparando o mix de suítes de Porto Belo, Balneário Camboriú/Praia Brava e Camboriú
Publicado em 27 de setembro de 2026 · Por Brian Reis, corretor de imóveis CRECI/SC 52.398
Antes de aprovar uma planta, eu quero saber que tipologia o mercado já tem em excesso e qual falta. Separei a distribuição de suítes de três cidades do meu cadastro — as que têm esse campo preenchido de forma confiável — para comparar o mix real, não a impressão de quem só visitou alguns estandes.
| 2 suítes | 87 (24,6%) |
| 3 suítes | 86 (24,4%) |
| 2-3 suítes (faixa) | 60 (17,0%) |
| 1 suíte | 48 (13,6%) |
| 1-2 suítes (faixa) | 30 (8,5%) |
| 3-4 suítes (faixa) | 18 (5,1%) |
| 1-3 suítes (faixa) | 14 (4,0%) |
| Studio (0 suítes) | 10 (2,8%) |
De 353 lançamentos com tipologia informada em Porto Belo, o mix é o mais equilibrado das três cidades — 2 e 3 suítes lideram, mas sem esmagar as demais faixas. Studio aparece só em 10 registros: é a tipologia mais rara da cidade dentro do que está cadastrado.
| 1 suíte | 164 (36,0%) |
| 2 suítes | 60 (13,2%) |
| 3 suítes | 177 (38,9%) |
| 4 suítes | 51 (11,2%) |
| 5 suítes | 2 (0,4%) |
| Studio (0 suítes) | 1 (0,2%) |
De 455 lançamentos de Balneário Camboriú e Praia Brava com tipologia informada (de 804 no cadastro — o restante não tem esse campo preenchido), o desenho é polarizado: 1 suíte (36,0%, perfil compacto/investidor) e 3 suítes (38,9%, perfil família/alto padrão) somam quase três quartos do mix. A tipologia de 2 suítes, que costuma ser a transição natural entre os dois perfis, aparece em só 13,2% — o menor volume entre as quatro faixas principais. É o gap mais claro que eu vejo no mix da cidade: falta produto de 2 suítes entre o compacto e o de família.
| Não informado | 23 (31,9%) |
| 1 suíte | 18 (36,7% dos informados) |
| 2 suítes | 12 (24,5% dos informados) |
| 1-2 suítes (faixa) | 8 (16,3% dos informados) |
| 3 suítes | 4 (8,2% dos informados) |
Camboriú é a cidade com menos informação estruturada: 23 dos 72 lançamentos (31,9%) não têm tipologia informada no cadastro — mais um sinal de mercado com produto menor, muitas vezes vendido direto pela construtora, sem ficha técnica padronizada publicada. Dos que têm informação, 1 e 2 suítes dominam: é a cidade mais compacta das três em tipologia.
O arquivo consolidado de 31/08/2026 trouxe os campos de área e suíte de Itapema vazios ou parciais — falha de origem do dado, não de cálculo. Usar esses números aqui distorceria a comparação; prefiro deixar a cidade fora e tratá-la à parte, com a série de tipologia por bairro que já existe, publicada, no portal de Itapema da minha rede.
Repare que Porto Belo e Camboriú têm categorias como '2-3' ou '1–2' na distribuição — isso não é imprecisão minha, é como a própria fonte registrou o produto: um lançamento que oferece plantas de 2 e de 3 suítes simultaneamente, sem uma tipologia única. Eu prefiro manter essa faixa como está a forçar o registro para uma categoria única que inventaria precisão que a fonte não tem. Um produto '2-3 suítes' é, na prática, dois produtos dentro do mesmo empreendimento — e conta duas vezes na minha cabeça quando eu penso em cobertura de mercado.
Quando o terreno já está comprado — e a decisão de qual planta desenhar ainda está aberta — eu uso esse mix como o primeiro filtro, mas nunca o único. Cruzo com o bairro específico do terreno (concentração de oferta), com a faixa de preço que a região sustenta e com o que o próprio arquiteto considera viável para o terreno e a legislação local. O mix de cidade inteira é o ponto de partida da conversa, não o desenho final da planta.
Preencher a lacuna de 2 suítes em Balneário Camboriú e Praia Brava não é decisão sem risco — produto de transição às vezes é raro porque a demanda por ele também é menor, não só porque ninguém construiu. Antes de qualquer incorporadora decidir preencher esse vão, eu recomendo validar com pesquisa de demanda local, não só com a lacuna de oferta. O dado aponta a lacuna; não prova, sozinho, que ela existe porque falta oferta e não porque falta demanda.
Não é coincidência que a cidade com a maior lacuna de tipologia (Balneário Camboriú e Praia Brava, no vão de 2 suítes) seja também a cidade com a maior opacidade de preço (66,8% sem valor público) e a maior concentração de oferta num único bairro. As três características aparecem juntas porque descrevem o mesmo tipo de mercado: maduro, adensado, dominado por poucas marcas grandes que já sabem exatamente onde, o quê e como vender — e têm menos incentivo para preencher a lacuna que uma marca nova enxergaria como oportunidade.
Uma pergunta recorrente é se dá pra pegar o mix de sucesso de uma cidade e replicar em outra. Minha resposta é não, direto: o mix que funciona em Porto Belo reflete a demanda e a concentração geográfica de Porto Belo, não um segredo universal de produto. Levar o mesmo mix pronto pra Camboriú, que tem perfil de comprador e de preço bem diferente, é ignorar justamente o dado que deveria orientar a decisão.
A de 2 suítes, com 13,2% do estoque com tipologia informada — bem abaixo de 1 suíte e 3 suítes, que dominam o mix da cidade.
31,9% do cadastro da cidade não tem esse campo preenchido — um sinal de mercado com produto menor, muitas vezes vendido direto pela construtora, sem ficha técnica padronizada publicada em portal.
Não da mesma forma que Balneário Camboriú — o mix de Porto Belo é o mais equilibrado das três cidades comparadas. A lacuna mais evidente ali é geográfica (concentração no Perequê), não de tipologia.
Porque, no arquivo consolidado de 31/08/2026, os campos de suíte de Itapema vieram vazios ou parciais — usar esse dado distorceria a comparação. A cidade tem série própria de tipologia por bairro, publicada separadamente.
Isto é o tipo de leitura de mix de produto que sua incorporadora poderia estar publicando toda semana — com dado real, não achismo.
Eu ensino como montar essa operação (dados + IA + conteúdo) dentro da sua empresa.
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