
Mediana de m² bem mais baixa, mercado ainda em formação — e o caso do Colinas de Camboriú
Publicado em 27 de setembro de 2026 · Por Brian Reis, corretor de imóveis CRECI/SC 52.398
Confusão de nome custa dinheiro nesse mercado: Camboriú, a cidade, não é Balneário Camboriú. São dois municípios diferentes, vizinhos, e o preço entre eles é bem diferente — o que faz de Camboriú (a cidade) o refúgio de quem quer o litoral da região sem pagar o preço de Balneário Camboriú.
| Cidade | Mediana do m² | Lançamentos | Sem preço público |
|---|---|---|---|
| Camboriú (a cidade) | R$ 9.482,76 | 72 | 46% |
| Balneário Camboriú + Praia Brava | R$ 22.371,53 | 804 | 67% |
A mediana do m² em Balneário Camboriú e Praia Brava é 136% maior que em Camboriú. Isso não é acaso: Balneário Camboriú é o litoral mais consolidado da região, com skyline vertical e mercado de altíssimo padrão; Camboriú, a cidade vizinha, cresce a partir de bairros planejados e loteamentos, com um perfil de comprador diferente.
Os três bairros que mais concentram lançamentos são Tabuleiro, São Francisco de Assis e Centro — juntos, 79% de toda a oferta da cidade. É um mercado mais pulverizado entre bairros novos do que Balneário Camboriú, onde o Centro sozinho concentra quase metade da oferta.
O bairro planejado Colinas de Camboriú — 900 mil m² de área, 400 mil m² de Mata Atlântica preservada, 796 lotes de 300 m², VGV estimado de R$ 10 bilhões — é o exemplo mais visível dessa tese. Segundo reportagem do portal Portas (04/08/2026), um terreno que custava R$ 328.000,00 em 2019 valorizou cerca de 400% desde então, e o bairro fica a sete minutos de Balneário Camboriú. É a distância curta com o preço de entrada distante que atrai quem quer litoral sem pagar o prêmio da cidade mais cara.
Faz sentido para quem quer entrada mais baixa e aceita um ciclo de valorização mais longo — o cadastro mostra 46% dos lançamentos ainda sem preço público, sinal de mercado em formação, não de padrão fechado como em Balneário Camboriú. Não faz sentido para quem quer uso imediato de praia urbana consolidada com toda a infraestrutura de temporada já pronta — isso ainda é Balneário Camboriú e Praia Brava.
Já vi cliente descartar Camboriú achando que era "a versão mais barata de Balneário Camboriú" — não é a mesma coisa com desconto, é um mercado com fundamentos diferentes (pulverização entre construtoras, oferta ainda em formação, produto concentrado em loteamento e não em torre vertical). Comparar preço sem comparar o tipo de produto é o erro mais comum que vejo nessa dupla de cidades.
Como o mercado tem quase metade dos lançamentos sem preço público, o processo de checagem exige mais paciência do que em Balneário Camboriú, onde a proporção sob consulta é ainda maior, mas o padrão de negociação já é mais conhecido pelo próprio mercado. Em Camboriú, confirmo o registro de incorporação com mais cuidado ainda, porque o mercado pulverizado entre muitas construtoras pequenas significa menos histórico prévio por empresa — a mesma lógica que já expliquei para avaliar histórico de entrega de construtora se aplica aqui com mais força.
Também confirmo, especificamente para loteamento, o estágio de aprovação de licenças urbanísticas e a existência de infraestrutura básica já entregue (rede elétrica, água, pavimentação) — bairro planejado prometido em material de venda e bairro planejado com infraestrutura de fato entregue são coisas bem diferentes na hora de avaliar risco de compra de terreno.
Não recomendo Camboriú como "a opção pra quem não tem dinheiro pra BC" — recomendo para quem tem um objetivo específico que o produto de Camboriú atende melhor: entrada mais baixa, ciclo de valorização mais longo, e disposição para acompanhar um mercado ainda em formação. É outro tipo de investimento, com outro tipo de risco e outro tipo de retorno potencial — tratar como versão inferior de Balneário Camboriú é o mesmo erro de comparar maçã com laranja só porque as duas são frutas.
A proximidade entre Camboriú e Balneário Camboriú é o argumento mais citado a favor da cidade vizinha, e é real — sete minutos, segundo a reportagem do portal Portas sobre o Colinas de Camboriú. Mas proximidade geográfica não é o mesmo que equivalência de infraestrutura: sete minutos de carro até o Centro de Balneário Camboriú não trazem junto a orla, o comércio consolidado nem a rede de serviços que a cidade mais cara já tem pronta. O que a proximidade garante é acesso rápido a essa infraestrutura quando o morador de Camboriú precisar dela — não que Camboriú já tenha a mesma coisa internamente.
Quando levo um cliente para conhecer Camboriú pela primeira vez, faço questão de mostrar os dois lados: o bairro planejado em formação, com a infraestrutura ainda sendo entregue por etapas, e o trajeto real até o Centro de Balneário Camboriú, para que ele sinta a distância com o próprio corpo, não só no mapa. Cliente que compra sem essa visita combinada às vezes projeta uma proximidade maior do que a real, e a decepção na entrega do imóvel custa mais caro do que qualquer explicação prévia teria custado.
A tese de Camboriú como refúgio de preço depende de duas coisas continuarem verdadeiras: a diferença de preço em relação a Balneário Camboriú se manter relevante, e a infraestrutura dos bairros planejados continuar avançando conforme prometido. Se a diferença de preço encolher rápido demais, o argumento de entrada mais barata perde força; se a infraestrutura atrasar, o argumento de "litoral com conveniência" também enfraquece. Reviso os dois sinais junto com a atualização regular do cadastro.
Um terceiro sinal que acompanho é o ritmo de novos lançamentos em Camboriú: se o número de construtoras entrando na cidade crescer de forma sustentada, é indicação de que o mercado está validando a tese externamente, não só na minha leitura isolada dos números do cadastro.
Enquanto esses dois sinais continuarem apontando na mesma direção, mantenho Camboriú na lista de recomendação para o perfil de investidor certo — e reviso a tese publicamente, neste mesmo artigo, se algum deles mudar de forma relevante.
Comparativo entre cidades vizinhas só é útil enquanto continua atualizado — por isso este artigo é revisado junto com o cadastro, não escrito uma vez e esquecido.
Isto é o tipo de conteúdo que sua imobiliária, construtora ou escritório poderia estar publicando toda semana — com dado real, não achismo.
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